14 de agosto de 2020
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16/06/2020 12:21  •  Atualizada em 16/06/2020 12:42

Biografia: Mosca, um craque marcado na memória do torcedor do Vila Nova

Meia foi contratado junto ao Nacional de Itumbiara para ser campeão goiano de 1969

A passagem do meia Carlos Henrique pelo Vila Nova poderia ter sido pouco notada. Só que causava impacto já pelo apelido: Mosca. Em apenas duas temporadas, o habilidoso jogador conseguiu o feito de ser lembrado por muitos colorados como um dos maiores jogadores da história do clube. 

Natural de São Paulo, Mosca começou sua carreira profissional pelo Nacional de Itumbiara, inclusive sendo considerado como o jogador revelação do Campeonato Goiano de 1968. Antes de vir a Goiás, jogava bola na várzea paulistana. Franzino, o meia ganhou apelido de Mosquito, que ganhou nova versão devido a uma falha de comunicação.

"Acho que em razão do apelido fiquei muito marcado também. Se fosse pelo nome Carlos Henrique talvez passasse despercebido. Mas o apelido de Mosca marcou muito. Esse apelido vem desde criança em São Paulo. Eu participava dos times de várzea com jogadores de idades maiores, eu era pequeno e na hora de me escolherem começaram a me chamar de Mosquito, pois não sabiam meu nome. Se tornou Mosca quando fui contratado pelo Nacional de Itumbiara. O repórter veio me entrevistar e ao invés de falar Mosquito, falou Mosca. Eu não questionei e o apelido ficou", lembrou Mosca.

"Fui contratado pelo Nacional de Itumbiara através do seu José Vieira, que era treinador do Nacional. No ano anterior, em 1967, me levaram para um teste no Fluminense de Araguari e ele era o treinador. Depois do teste ele me pediu para que voltasse a São Paulo que depois me levaria para um time melhor e foi o que aconteceu", explicou o ex-jogador do Nacional e do Vila Nova.

O impacto de seu ótimo campeonato pelo Nacional de Itumbiara movimentou os bastidores do futebol goiano. Clubes da capital concorreram pela contratação do promissor jogador. O Goiás até alinhou a contratação, mas o Vila Nova conseguiu manobrar para garantir que Mosca fosse jogar pelo Tigre da Vila Famosa. 

"O Vila era o time de maior torcida de Goiânia na época. O último título do Vila tinha sido em 1963 e o torcedor estava ansioso para conquistar novamente o título. Cheguei em 1969 e tivemos a felicidade de sermos campeões goianos e ainda fomos campeões de outros torneios que faziam na época", lembrou Mosca, que foi eleito o melhor jogador do campeonato de 1969.

Nascido em 1949, Mosca conquistava seu primeiro título como jogador profissional aos 20 anos de idade, com a camisa do Vila Nova. Por isso, o ex-jogador carrega o clube colorado em lugar especial no coração e revela ser "eternamente grato".

"Foi minha primeira taça como atleta profissional. Eram seis anos de espera para um clube grande como o Vila, é um tempo muito grande. Era uma equipe dentro das quatro linhas com consciência de buscar o resultado e o torcedor acreditava. Não esqueço nunca por ser meu primeiro título. Eu e minha família somos eternamente gratos", ressaltou.

Mais:

Confira o perfil de Mosca no Futebol de Goyaz

Relembre como foi o Campeonato Goiano de 1969

Mosca chegou muito perto de se tornar bicampeão pelo Vila Nova. Alguns centímetros, literalmente. No jogo decisivo do Campeonato Goiano de 1970, o meia colorado protagonizou um dos lances mais inesquecíveis da história do futebol goiano. Vila Nova e Atlético se enfrentavam no Estádio Olímpico e só a vitória interessava para o Tigre. A bola do campeonato esteve nos pés de Mosca, que se lembra com riqueza de detalhes do desfecho daquela jogada. 

"O Estádio Olímpico estava lotado, era a decisão do título. Aos 45 minutos do segundo tempo teve um tiro de meta para o Atlético e o Pedro Bala bateu, essa bola veio meio rasante, não veio alta, e eu estava no meio-campo. A bola veio em minha direção, dominei e como percebi que o Pedro Bala estava fora do gol, bati uma bola longa em direção do gol. Ficamos na expectativa de que ela poderia entrar. O Pedro Bala estava correndo de costas para tentar tirar, como realmente aconteceu, ele tocou na bola, que bate em cima do travessão e caiu atrás das redes. Se fizesse o gol seríamos bicampeões. O torcedor mais antigo deve relembrar até hoje esse lance que marcou muito", lembrou.

Em janeiro de 1971, a passagem marcante de Mosca pelo Vila Nova chegou ao fim. Valorizado, o jogador recebeu algumas propostas, entre elas uma do XV de Piracicaba e outra da Ponte Preta. O destino do jogador foi a Macaca. O Mosca não se lembra, ao certo, dos valores envolvidos naquela negociação, mas foi um valor importante. O ex-jogador se recorda que foi encarado com certa dúvida pela imprensa de Campinas (SP) quando se apresentou ao novo clube, pois não tinha um porte atlético muito evidente. 

Depois de muitos anos, quando já tinha pendurado as chuteiras e se tornado treinador, Mosca esteve em Goiânia para uma partida e se encontrou com dirigentes colorados, que salientaram a importância daquela transferência de Mosca para a Ponte Preta.

"Fiquei sabendo pelo seu João Carneiro, quando fui disputar um jogo como treinador em Goiânia pela Série C de 2008, que o (estádio) Onésio Brasileiro Alvarenga foi construído com valores da minha venda para a Ponte Preta. Até brinquei que ele não tinha me dado os 15% que eu tinha direito. Se realmente isso for verdadeiro, fico muito feliz de ter colaborado com o Vila Nova desta forma, pois o clube foi muito importante para minha carreira", salientou.

Mesmo após 50 anos, Mosca trata o Vila Nova com muito carinho e tem o desejo de ajudar o clube de alguma forma. A intenção é sentar e conversar com o presidente do clube para trocar ideias sobre formação de jogadores, por exemplo. 

"Eu adoro o Vila. É um clube que me deu oportunidade de aparecer para o cenário nacional. É um clube onde aprendi a conviver e gostar do torcedor, que é fanático, que acompanhava desde os treinos na Vila Operária até os jogos no interior. O torcedor sempre estava presente. Tenha certeza que esse time de 1969 e 1970 jogava pela torcida. Era uma coisa maravilhosa, inesquecível. Desejo que o Vila volte a ser aquele da minha época e até de épocas anteriores e que possa trazer alegrias para esse torcedor. O meu maior sonho é ver o time na 1ª Divisão jogando nos grandes centros. Tenho certeza que vai chegar", projetou. 

 

 

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